sexta-feira, 15 de maio de 2015

Princesa Desalento

Minh'alma é a Princesa Desalento, 
Como um Poeta lhe chamou, um dia. 
É magoada, e pálida, e sombria, 
Como soluços trágicos do vento! 

É fágil como o sonho dum momento; 
Soturna como preces de agonia, 
Vive do riso duma boca fria: 
Minh'alma é a Princesa Desalento... 

Altas horas da noite ela vagueia... 
E ao luar suavíssimo, que anseia, 
Põe-se a falar de tanta coisa morta! 

O luar ouve minh'alma, ajoelhado, 
E vai traçar, fantástico e gelado, 
A sombra duma cruz à tua porta... 

Florbela Espanca

Sem comentários:

Enviar um comentário